Asese

Assim diz o mito:

Vivia em terras de Queto um caçador chamado Odulecê.

Era o líder de todos os caçadores.

Ele tomou por sua filha uma menina nascida em Irá,

que por seus modos espertos e ligeiros foi conhecida por Oiá.

Oiá tornou-se logo a predileta do velho caçador,

conquistando um lugar de destaque entre aquele  povo.

Mas um dia a morte levou Odulecê, deixando Oiá muito triste.

A jovem pensou numa forma de homenagear o seu pai adotivo.

Reuniu todos os instrumentos de caça de Odulecê

e enrolou-os num pano.

Também preparou todas as iguarias que ele tanto gostava de saborear.

Dançou e cantou por sete dias,

espalhando por toda parte, com seu vento, o seu canto,

fazendo com que se reunissem no local todos os caçadores da terra.

Na sétima noite, acompanhada dos caçadores,

Oiá embrenhou-se mata adentro

e depositou ao pé de uma árvore sagrada

os pertences de Odulecê.

Nesse instante, o pássaro "agbé" partiu num vôo sagrado.

 

Olorum, que tudo via,

emocionou-se com o gesto de Oiá-Iansã

e deu-lhe o poder de ser a guia dos mortos

em sua viagem para o Orum.

Transformou Odulecê em orixá

e Oiá na mãe dos espaços sagrados.

A partir de então, todo aquele que morre

tem seu espírito levado ao Orum por Oiá.

Antes porém deve ser homenageado por seus entes queridos,

numa festa com comidas, canto e dança.

Nascia, assim, o ritual do axexê. (Santos, 1993: 91).

 

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